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Mittal ataca preço do minério de ferro
Escrito por Fonte: Uai   
Sex, 16 de Abril de 2010 17:35

As siderúrgicas alertam que a mudança da forma de cálculo do preço do minério de ferro causará instabilidade em toda a cadeia produtiva. Há risco até de adiamento de investimentos, alardeiam os empresários do setor. “Existe um risco de, com o aumento do preço do minério de ferro e do aço, atrasar alguns projetos”, ressaltou Lakshni Mittal, presidente da Arcelor Mittal, maior produtora mundial de aço, durante o 21º Congresso Brasileiro do Aço, realizado na quinta-feira O executivo enfatizou que o mercado não está preparado para absorver o reajuste de até 100% do preço do minério de ferro e a mudança do sistema de preços da matéria-prima de anual para trimestral, imposto pelas principais mineradoras do mundo. “Nossos clientes não estão prontos para essa volatividade”, afirmou Mittal. “O modelo de negócios vai ter que mudar para os nossos clientes”, completou.

 

Diante dessas incertezas, o custo da matéria-prima é o maior desafio para o setor, na opinião do executivo. Como o minério de ferro tem peso significativo na produção de aço, a instabilidade do preço da matéria-prima expõe o setor siderúrgico à volatilidade do mercado e a fornecedores não confiáveis, alerta Mittal. “Os custos variáveis representam mais de 60% do caixa (das empresas) em geral. Na crise, ficamos expostos, num momento de queda dos preços de produtos acabados no mercado spot (à vista)”, apontou.

Esse cenário, porém, não cerceou os investimentos da companhia no Brasil, que será palco de aportes de US$ 5 bilhões nos próximos quatro anos. Um dos destaques é Minas Gerais, que terá a ampliação da usina de João Monlevade, na região Central do estado. Outro foco da companhia é buscar a autossuficiência de minério de ferro . A meta, segundo Mittal, é alcançar a produção de 100 milhões de toneladas até 2015, o que seria suficiente para atender 75% da demanda da siderúrgica. Esse aumento de produção de minério não está contabilizado nos US$ 5 bilhões de investimentos previstos.

A nova dinâmica na venda de minério de ferro afeta pouco os investimentos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), mas Benjamin Steinbruch, presidente da companhia, vê com cautela o reajuste trimestral da matéria-prima. “Vai impor uma nova realidade, de instabilidade grande, tanto para quem compra quanto para quem vende na cadeia toda. É um negócio que a gente tem que experimentar, ter muito cuidado, e ver como vai funcionar”, observou.

 

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